
Os 10 melhores vistos para Nômades Digitais
outubro 24, 2017
Imposto é um dos maiores perrengues da vida nômade digital – e também um dos motivos de certa hostilidade local.
Quem fica só um tempo em um país usa tudo: serviços públicos, infraestrutura, segurança, internet… mas muitas vezes não paga imposto ali. Em vários casos, o nômade ainda aproveita a diferença de custo de vida: ganha em moeda forte, gasta em moeda mais barata e vai embora antes de ter que contribuir com a arrecadação. Tudo isso ajuda a empurrar preços pra cima pra quem é local e fica por lá.
Pra tentar atrair talento global, alguns países criaram taxas fiscais especiais ou reduções de imposto para nômades digitais. Entre os 64 vistos analisados, cerca de 20% dos países oferecem um ambiente em que o nômade praticamente não paga imposto de renda ali, enquanto aproximadamente 53% seguem a lógica de tributar a renda mundial – ou seja, tudo o que a pessoa ganha, independentemente de onde.
Alguns governos foram além e criaram vantagens bem específicas para essa galera nômade – como regimes diferenciados para imigrantes em países europeus, alívio temporário de imposto sobre renda obtida no exterior em alguns países asiáticos, ou regras mais amigáveis para envio de dinheiro em outros lugares. É uma espécie de “cardápio tributário” feito pra quem trabalha de forma remota.
Entender onde e como pagar imposto vira um quebra-cabeça. Nômades transitam por vários países, entram em contato com diferentes regimes fiscais e, sem uma boa orientação, é fácil se enrolar com o fisco de algum lugar. Não é só saber quanto se ganha, mas também onde isso é considerado tributável.
Esse cenário também alimenta a tal “hostilidade local”. O residente temporário utiliza serviços públicos, ajuda a aumentar preços de aluguel, alimentação e lazer, e muitas vezes não contribui com impostos da mesma forma que quem vive ali há anos. Para parte da população, parece que o nômade chega, encarece tudo e vai embora sem deixar contrapartida.
Pra tentar equilibrar as coisas e, ao mesmo tempo, continuar atraindo profissionais qualificados, vários governos estão testando regimes tributários mais amigáveis para nômades digitais. Em alguns casos há isenção total por um período; em outros, alíquotas reduzidas ou regras mais simples. A ideia é chegar num meio-termo: não espantar o talento global, mas também não deixar o país arcando sozinho com todos os custos.
Políticas de imigração
Muitos países estão usando vistos específicos para nômades digitais em alinhamento com suas políticas de imigração – não é só aquele visto de turismo clássico. A tendência do “slowmadismo”, que mistura viagens mais lentas com nomadismo digital, está em crescimento: os países querem atrair talentos e, cada vez mais, também suas famílias. A ideia é incentivar que essas pessoas permaneçam por mais tempo, se integrem às comunidades locais e se estabeleçam de forma mais estável.
Pesquisas mostram que 79% dos nômades digitais ganham acima de US$ 50 mil por ano e que a renda média passa de US$ 124,4 mil anuais. Em resumo: é um grupo que tem poder de compra, consome serviços, movimenta o mercado imobiliário e investe em vários setores da economia local.
Alguns vistos de nômade digital funcionam como um trampolim dentro do próprio sistema de imigração: podem abrir caminho para residência permanente ou até para cidadania. É uma espécie de “arbitragem de passaportes” global. Pessoas com passaporte de países do chamado “Norte Global” costumam ter mais facilidade de entrada em vários lugares; com esse tipo de visto, alguns países oferecem uma rota extra para quem vem do “Global Sul”, desde que consiga comprovar renda remota e manter residência por um certo período.
Exemplo: alguém de um país da América Latina que consegue um visto como nômade digital e mantém residência por dois anos em determinado país europeu pode, depois, solicitar um passaporte daquele lugar, dependendo das regras locais. Esse tipo de vantagem ajuda a explicar por que programas de residência especial – os famosos “passaportes dourados” – em países como a Argentina acabam sendo tão atrativos: eles abrem portas para outros passaportes e ampliam a mobilidade pelo mundo.

